terça-feira, 1 de junho de 2010

Santos, a bola da vez (Revista Veja)

O mar está para peixe. É assim que começa a matéria publicada na revista Veja (edição de 19 de maio), que trata da cidade de Santos e a expansão imobiliária após a notícia da implantação da nova sede da Petrobras por aqui. Com muitos números, como por exemplo, o valor pago pela Petrobras pelo terreno comprado no Valongo para construir a central de operações (R$15 milhões) e o valor da ponte que ligará Santos a Guarujá (R$700 milhões), o texto valoriza a cidade de Santos com projeções de um futuro economicamente rico.

No que diz respeito ao boom imobiliário na região, o metro quadrado de imóveis nos bairros nobres (Gonzaga e Vila Rica) está em torno de R$5mil, o que representa um aumento de 50% nos últimos três anos.

A matéria fala apenas dos aspectos ‘belos’ desse novo tempo para Santos. Como se não houvessem obstáculos e pontos negativos nisso tudo. Há certos cuidados que devem ser tomados ao se tratar de assuntos como esse, como por exemplo, na divulgação de dados que ainda não são certos, são apenas projeções. Segundo informações da AGEM (Agência Metropolitana da Baixada Santista) órgão que participa do planejamento desse novo tempo para a região, é perigoso fomentar uma ‘caça ao tesouro’ nas pessoas de fora, de tal forma a crescer a população santista de pessoas que não estão devidamente preparadas para o mercado de trabalho que vai se estabelecer por aqui. Irão trabalhar na exploração do petróleo cerca de 6 mil pessoas devidamente qualificadas, ou seja, não basta divulgar algo do tipo: ‘venham para cá que aqui vai ter mais dinheiro e empregos’ e não explicar que quem não estiver preparado vai continuar desempregado.

Matérias como essa são boas para a cidade, valorizam. Mas faltou o outro lado da exploração do petróleo e de todo esse crescimento: os cuidados a serem tomados e o preparo necessário de quem deseja entrar nesse barco.

E o meio ambiente? Estão pensando nele como é necessário? Será um desenvolvimento sustentável? Foram entrevistados políticos, empresários, funcionários da própria Petrobrás, mas ambientalistas não foram ouvidos na matéria. Pessoas que poderiam dar uma análise crítica, sem maior interesse econômico na exploração não foram consultadas.

Em resumo, obrigada a Veja por divulgar a nossa região nesse veículo nacional. Mas vamos tomar mais cuidado para não fazer parecer que está jorrando dinheiro do chão santista...

Postado por: Kátia Alves

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