terça-feira, 25 de maio de 2010

Novelas, Não vê-las!

Ingrid Rolemberg

O mal de todos os tempos está mais presente na vida dos brasileiros do que de qualquer nação do mundo: as novelas. Quer maior perda tempo, maior evidência de sedentarismo e preguiça do que sentar a tarde toda ou à noite na frente da TV para ver novelas?


Os atores podem ser talentosos e até mesmo simpáticos, mas na busca de dramaturgia o teatro dispara em conceito e qualidade se comparado com as idolatradas novelas das cinco, seis, sete e, sem esquecer a das nove, é claro. Nos palcos, pelo menos, é possível encontrar os mesmos atores interagindo com o público, incentivando as pessoas a adotarem hábitos saudáveis como sair em família e buscar bons programas artísticos e culturais.

Não desconsidero que muitos casos relatados em novelas, bem como as histórias construídas por autores conceituados como Glória Perez, tenham um peso sobre a visão crítica dos cidadãos do nosso país. Afinal, muitos temas tratados são polêmicos. Porém, de uma forma geral, elas conseguem hipnotizar o telespectador com tanta intensidade, que ele perde, completamente a noção de tempo, de espaço, do que é ficção e da realidade que nos rodeia.

Seria exagero falar em transe? Pois é isso que parece, com todo respeito aos que se divertem ou se emocionam com uma cena. No mundo das novelas não existe acepção de pessoas, distinção de classes sociais, limite para idade ou sexo. Uma lavagem cerebral que impacta até no público infantil e juvenil. Afinal Chiquititas, Rebeldes e Malhação também dispararam nas audiências.

No geral os princípios e valores foram invertidos de maneira tão natural e sutil que hoje, pedir para que uma pessoa deixe de assistir o último capítulo da novela das nove é quase um insulto, uma ofensa. O grande problema é que a população, hoje em dia, busca uma justificativa para fazer o que é errado, ilícito, ou em outras palavras, o inaceitável. E nessa busca, as novelas caem como uma luva. São necessários exemplos? Infedelidade no casamento, incentivo a preconceito, descriminação racial, apoio a desigualdade e injustiça.

Praticar esportes, ler um livro, desempenhar serviços sociais e voluntários, fazer programas com a família e amigos e até mesmo assistir os velhos, porém saudosos desenhos da Walt Disney com seu irmão caçula continuam sendo as melhores opções.

Sabe o que é mais incrível? É que entre o comercial de um bloco e outro vemos na TV o seguinte convite: “Desligue a TV e vá ler um livro”. As emissoras têm plena consciência do que é bom, mas na busca de interesse, o que vale é a audiência. Pouco importa se a população permanece alienada em um mundo irreal, impermeável as indiferenças e miséria de nossa sociedade. O mundo se destrói em guerra, o Brasil imerge em corrupção e a população? Age com um controle remoto na mão. Novelas? Sem sombra de dúvidas, não vê-las!






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