terça-feira, 6 de abril de 2010

Não tô nem aí pro Ricky Martin

Nathália do Lago

Posso falar? E DAÍ que o Ricky Martin é gay? E daí? Eu não fiquei nem mais rica nem mais pobre depois que ele disse isso e também não dormi na pia noites seguidas, chorando de decepção. Ele assumiu, ponto. Todo mundo já entendeu, pronto. A repercussão desse assunto já deu também. Chega!

Faz uma semana que eu estou ouvindo, lendo e vendo matérias sobre isso nos jornais. Vem cá, ninguém tem nada mais interessante para noticiar, não? Deixa o cara contar no próprio site oficial, em plena segunda-feira, que gosta de homem, gente. Ele parece que tava precisando revelar para o mundo esse “segredo”.

Confesso que eu nem desconfiava que o Ricky Martin fosse homossexual, talvez até porque ele nunca tenha chamado tanto minha atenção assim, mas tenho ouvido muita gente dizer que não se espantou nem um pouco com a declaração do ex-Menudo.

Aí vem a mídia e já aproveita o ensejo para relembrar todas aquelas celebridades que assumiram, também. Elton John, George Michael, Ellen DeGeneres, Jodie Foster e mais uns outros tantos artistas que resolveram, um dia, sair do armário. E, claro, agora é a hora de todo mundo querer dar pitaco na história: “Gays de Porto Rico já pensam em Ricky Martin como líder de sua causa”, “Fotos de Ricky Martin e seu namorado”, “Thalia acha que Ricky Martin assumiu ser gay por amor aos filhos”.

Como se já não fosse o bastante, domingo, quase uma semana depois da declaração bombástica do cantor, o Fantástico mostra uma matéria in-crí-vel com o fã-clube do sexy symbol porto-riquenho. O que elas acharam da declaração do ídolo e se ficaram decepcionadas com a revelação. Quer dizer, então, que estão cogitando que elas são fãs do bonitão única e exclusivamente porque ele é um bonitão hetero, é isso? Se ele canta bem, dança bem, tem talento, ah, isso pouco importa. Importante mesmo é que o homem é um escândalo, o genro que toda sogra queria no almoço de domingo.

Mas calma! Ainda tem mais. Quando eu já estava convencida de que o martírio tinha acabado, vem a pior parte. Impressionante como desgraça nunca é pouca. Renata Ceribelli aparece entrevistando Netinho (aquele mesmo do “ô, Milla”), por sinal superconstrangido com aquela situação patética. Impressão minha ou a tentativa de fazer uma relação Brasil-Porto Rico foi mesmo um desastre? Do tipo, Ricky Martin assume ser gay, mas, ó, aqui no Brasil nos também temos, numa situação bem parecida, o Netinho. Por favor, né, Globo. Ricky Martin tem carreira internacional. O Netinho só conseguiu ter uma das músicas mais cantadas nos videokês tupiniquins.

Olha, não me espantaria saber, em breve, que essa história toda não é bem assim. Ricky Martin nem é tão gay quanto escreveu no site e que tudo não passou mesmo de um golpe publicitário do assessor de imprensa do cantor. Se esse auê todo foi friamente calculado ou não, eu não sei, mas que ele foi um sucesso, foi.

Confira o vídeo com o primeiro sucesso em carreira solo do cantor. Uepa!

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