terça-feira, 20 de abril de 2010

Control C, Control V na programação

Fabíola Ferreira

Quando se fala em televisão, a célebre frase do Chacrinha vem sempre à cabeça: “Nada se cria, tudo de copia”. As pegadinhas com câmera escondida do Silvio Santos migraram de programa, de emissora em emissora. Programas de namoro na TV tentam variar a fórmula, mas não adianta. Mudam os jogos, os cenários e os apresentadores, mas basicamente é tudo a mesma coisa.

Hoje, quando a Internet promove opção de escolha de conteúdo e interatividade, e onde cada um faz sua programação e divide com amigos vídeos e textos mais vistos, a grade fixa da TV parece ainda mais limitada. Afinal, não dá para brigar com o mundo inteiro, que posta vídeos cada vez mais criativos no YouTube.

Alguns programas televisivos estão apostando na exibição dos vídeos mais vistos na Internet. Se não pode vencê-la, junte-se a ela! Mesmo que isso implique mostrar conteúdo que não é dela, e que tem baixa qualidade para ser veiculada pela TV. É uma mídia tentando usar outra, ao invés de ambas se complementarem.

Em alguns casos, percebe-se que houve tentativa de mesclar o conteúdo da TV com o da Internet. No programa da Eliana, por exemplo, a proposta é não apenas mostrar vídeos interessantes e inovadores, mas produzi-los com a ajuda da equipe da emissora. Confesso que é interessante ver uma idéia simples e viabilizada, muitas vezes, sem apoio financeiro, virar hit e ser realizada pelo programa com um orçamento maior.



E quando não é para copiar da Internet, a TV continua copiando a própria TV. Infelizmente, a lei da demanda e da oferta também se aplica a esse meio, e programas e artistas que despontaram em uma rede acabam levando toda a fama e conteúdo para outra que lhe ofereça maior retorno.

Assim, na estréia do novo programa da Record, os Legendários (que mistura esquetes cômicos e pitadas informativas, ao estilo CQC), pude conferir uma historinha criada para justificar a ida de todo o elenco do Hermes e Renato, humorístico que fez história na MTV, para a nova emissora. Com direito a pesquisa sobre qual novo nome o grupo deve receber.

A MTV perdeu também os atores do criativo Quinta Categoria para o É Tudo Improviso, na Band.

É triste perceber quando essa mudança é feita e não dá certo. Porque às vezes simplesmente não dá, mesmo que haja cacife da emissora. Com freqüência, aliás, são exatamente as imposições dela que restringem a criatividade que antes vista em redes menores.


Todos devem lembrar da história do apresentador de Os Legendários, Marcos Mion, que surgiu no simples, porém incrível, Piores Clipes do Mundo. O sucesso era grande e só crescia, até que, por motivos que só a ele mesmo cabem explicar, mudou de emissora. Nem preciso dizer que a nova empreitada não rendeu bons resultados e em algum tempo ele já estava de volta à MTV. Agora vejo a cena se repetir, literalmente, já que até os antigos quadros como o Micon (que satiriza videoclipes famosos) são recriados e transmitidos na Record.



Isso não vai mudar tão cedo. Os programas continuarão baseados em outros programas. Há temporadas em que todos os canais têm algum tipo de concurso de dança, depois de canto, depois de talentos e assim sucessivamente, enquanto a fórmula estiver prendendo a atenção do público. A solução? Talvez não exista uma. Só espero que haja mais procura por novos talentos e oportunidade para muita gente criativa que há por ai, e menos “control C”, “control V”.

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