terça-feira, 15 de junho de 2010

Nova rede social, novas regras

Mariana Rodrigues


As pessoas ainda estão aprendendo a lidar com a liberdade que existe no Twitter. A velocidade com que a novidade se espalhou não preparou os usuários para as conseqüências. O desabafo momentâneo nas postagens é comum.

Um dos casos mais recentes é o do editor da National Geographic, que foi demitido por criticar a revista Veja, publicada pelo mesmo grupo. O caso causou repercussão, especialmente por se tratar de um jornalista e por afetar a liberdade de expressão.

A web sempre deu a idéia de terra de ninguém e onde se faz o que se quer, mas agora a realidade está cada vez mais perto do que George Orwell descreveu em 1984.
Para quem tem a web como extensão de si mesmo, dar opiniões próprias nas redes sociais faz parte do cotidiano tanto quanto escovar os dentes ou tomar banho. Veio a época do ICQ, depois do MSN, do Orkut, Facebook, etc.. Agora, a era do Twitter.

A rede  criada por Evan Williams, Biz Stone e Jack Dorsey em 2006 é a ferramenta mais popular para se comunicar. Seu começo foi modesto e as pessoas ainda não sabiam qual a função. Mas como ninguém gosta do sentimento de ser deixado de lado, no fim de maio passado o site twitter.com contava com mais de 15 bilhões de tweets.
Como recurso mais interessante do Twitter estão os followers, que são os seguidores. Esses podem ler qualquer desabafo que você faça sobre seu chefe/professor/namorado, por exemplo. Na categoria dos following, estão os perfis que você quer ler - literalmente, de quem você está seguindo. Valem ídolos, a balada do fim de semana e o que mais o usuário achar que vale a pena. Como é comum no mundo virtual, boa parte do que se vê, principalmente em relação a celebridades, não é real. Só confie se o perfil vier com o símbolo Verified Account, ou até o próprio confirmar.

Mas atenção! Não deixe a carência bater. Nada obriga seu ídolo a te seguir, se ele nem sabe quem você é. Depois não diga que não avisei...

Os famosos TT são os trending topics (assuntos mais populares). No Brasil, em geral os assuntos variam entre Big Brother Brasil, os jogos da TV, desfiles, a novela das 8 e Justin Bieber.
E para criar um TT é preciso apoio coletivo, de muitas pessoas –desocupadas - que estejam dispostas a escrever.



Bom, já não aguento mais ouvir falar, ver programas ou ler sobre essa nova e inédita rede social que é o Twitter. A rede é tratada como a maior invenção depois do papel higiênico. Que a televisão há tempos é pautada pela web já está claro e cada vez mais surgem celebridades saídas do site de relacionamento.

Agora, o americano @shitmydadsays (m* que meu pai diz) detalha em sua página o relacionamento “carinhoso” que tem com o pai. Faz tanto que sucesso que a história vai virar filme, com o ator William Shatner, de Jornada nas Estrelas, vai interpretar o pai em questão.

Na imprensa, todo mundo acaba repercutindo o que é falado no Twitter. A área que mais tem lucrado com isso e que claramente pode usufruir dos benefícios são os sites de fofoca. Qualquer pequeno comentário ganha status de notícias.

O problema é que o jornalismo, especialmente na web, impressionado com a rapidez com a qual as coisas se propagam no site, tem usado os comentários como muletas sensacionalistas para manter os sites de notícia atualizados.

Existem assunto e comentários que funcionam melhor quando se está entre amigos íntimos. Como em qualquer conversa, um comentário pessoal pode ser tirado de contexto por quem está lendo.

Mas liberdade de expressão tem limite. A linha é ultrapassada quando o funcionário reclama da empresa onde trabalha no Twitter. Nesse caso, por mais que fiquem indignados, o código permite que os atingidos pelos comentários respondam.

Vamos ter que aprender mais regras de etiqueta para nos comportarmos no Twitter.

Aprenda a usar o twitter.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pontos corridos x mata-mata

O Santos é atualmente a melhor equipe do futebol brasileiro. Na fórmula de pontos corridos, o time da Vila Belmiro disparou e terminou a fase classificatória na frente com folga. Mesmo com esse favoritismo, a final do Campeonato Paulista contra o Santo André foi de tirar o fôlego. Isso só foi possível graças ao famoso mata-mata.

Essa modalidade de disputa é criticada por muitos especialistas da mídia esportiva. No entanto, essas mesmas pessoas elogiam campeonatos como a Uefa Champions League e a Taça Libertadores da América, que adotam justamente essa maneira de disputa.

Não estou querendo defender a desorganização e a anarquia. Muito pelo contrário. Penso que quanto mais estrutura, preparo e profissionalismo os clubes tiverem, melhor para todos.

No entanto, a realidade é que o futebol necessita de momentos decisivos. Finais históricas, daquelas que tanto campeão quanto vice lembram com detalhes. O jogador diferenciado cresce na decisão. O imponderável, o imprevísivel, sempre tão presente no futebol torna-se inesquecível.

Voltando a falar do Santos Futebol Clube, qual torcedor não se recorda da final do Brasileiro de 1995? O árbitro Márcio Rezende de Freitas influiu no resultado contra o Botafogo do Rio de Janeiro. As angústias de quem viveu aquele momento de frustração fez com certeza torcedores amarem ainda mais seu clube. A geração de 2002 só se sagrou campeã, graças a uma combinação de resultados, que classificou o peixe na 8ª colocação. Na fase final, os meninos deram a arrancada para o título e enxeram os olhos do Brasil inteiro.

Outra constatação desse anti-clímax dos pontos corridos é quando o clube vence uma partida aleatória e nela se sagra campeão por antecipação. Pode ocorrer dessa partida ser longe da sua torcida, com um mando do adversário e sem a presença maciça de sua torcida e da tão cobiçada taça. Consequentemente não ocorre a volta olímpica, marca registrada das conquistas. Isso aconteceu com o título brasileiro do São Paulo no ano de 2008.

Enfim, que me desculpem os burocratas de plantão, mas futebol não precisa ter lógica e nem cálculos frios para definir seus campeões.

Gráfico da APPM (Análise de Pesquisas e Planejamentos de Mercado)
Foto de Reto Stauffer, www.hopp-schwiiz.ch


Postado por Fernando Corrêa

Jornalismo e outras verdades

Rose Marques

A leitura de notas policiais, presentes nos jornais diários, pode se transformar em um bom exercício de observação da tão defendida e apregoada objetividade jornalística. O assunto já foi bastante debatido e, se hoje ele é quase senso comum nas discussões acadêmicas, seja por aqueles que defendem a abordagem objetiva do fato quanto por aqueles que reconhecem a sua impossibilidade empírica, isso não torna o exercício menos interessante.

“DJ é assassinado a tiros dentro de bar em Diadema” (*)
“Um DJ foi assassinado a tiros após uma discussão em um bar no centro de Diadema, região metropolitana de São Paulo, por volta das 22 horas de domingo. Carlos Alberto Sabino, 40 anos, trabalhava no Bar Açaí, na Avenida Juarez Rios de Vasconcelos, nº 366.
Segundo testemunhas, a briga começou quando Sabino pediu para um cliente que fumava dentro da casa apagar seu cigarro. Eles teriam discutido e o cliente, armado, disparou quatro vezes contra o DJ. Sabino morreu no local e o assassino fugiu. O crime foi registrado no 1º DP de Diadema”.
(*) nota divulgada em 07/06 pela Agência Estado

Um fato - ou ocorrência policial. Seu registro em forma de notícia. Local, dia e hora. Personagens envolvidos. Testemunhas. Motivos. Após a leitura, a sensação, quase uma certeza, de que foi exatamente assim que aconteceu. A nota não deixa dúvidas. Objetividade a serviço da transparência.

“Policiais atiram em adolescente que estava com arma de brinquedo” (*)
“Um adolescente de 14 anos foi baleado na noite deste domingo, após uma abordagem policial na Vila Mirim, em Praia Grande. Antes de ser alvejado ele teria sacado uma pistola de brinquedo. Um outro suspeito chegou a disparar uma arma, mas não foi detido. Com um terceiro homem, um ajudante, foi apreendida pequena porção de maconha.Três pessoas foram vistas, por volta das 22 horas, enquanto uma equipe da Polícia Militar trabalhava pela Avenida D. Quando os policiais foram abordar uma delas, o adolescente subiu em uma bicicleta e saiu. Foram ouvidos dois disparos por um terceiro rapaz. Na sequência, o adolescente jogou a bicicleta no chão e sacou o que aparentava ser uma arma de fogo. Um dos policiais atirou e acertou o braço direito do jovem, perto do ombro. Só então foi apurado que o objeto era de brinquedo. O menor foi levado aos PSs Quietude e Central. Ele foi medicado e liberado. No bolso da bermuda do ajudante foi achada uma pequena porção de maconha. Seu caso foi enquadrado no porte de entorpecente para consumo pessoal”.
(*) reportagem de Fernando Diegues, publicada em 07/06 no jornal A Tribuna

Um fato - ou ocorrência policial - ganha complexidade. Mas o que foi exatamente que aconteceu?

Uma bela crônica escrita por José Castelo examina justamente a dificuldade em se narrar uma simples ocorrência policial, para além de qualquer manual de jornalismo.

“O repórter de três cabeças” (*)
“Tenho 20 anos e acabo de me tornar repórter policial. O chefe de redação, Sr. Azevedo, me convoca para minha primeira reportagem. Numa favela carioca, moradores ateiam fogo a um homem, acusado de matar a pauladas o filho adolescente. O assassino, com braços e tórax derretidos pelo fogo, ocupa um leito de hospital público, mas não corre risco de vida. Na favela, o coração destruído, sua mulher vela o filho morto.
Vou primeiro ao morro. É um crime pequeno, um episódio na vida de gente comum. No barraco, encontro apenas um velho fotógrafo de A Notícia que - com a frieza de um açougueiro experiente - escolhe as imagens mais repugnantes. "Meu marido é um cachorro", a mulher grita. "Um bicho!" Olho o corpo do rapaz, lustroso como um boneco de cera, a cabeça enrolada em bandagens imundas, o rosto borrado por placas roxas. "Ele matou meu filho por nada", a mulher continua. "Matou como se fosse um rato".
Encho-me de ódio. Ao chegar ao hospital para ouvir o assassino, pois as normas do jornalismo exigem sempre os dois lados das histórias, trago o espírito arreganhado. Largado em uma enfermaria obscura, o homem parece uma sombra de homem. Uma nódoa na paisagem. "Por que o Sr. fez isso?", pergunto, mal conseguindo encará-lo. O homem tem os olhos parados, como pérolas sujas esquecidas no fundo de uma gaveta, e não pára de tremer. Insisto: "Por quê?" Ele me olha e diz: "Ele me odiava porque eu sou só um lixeiro." Ergo a voz e, em tom de reprimenda, digo que isso não é motivo suficiente para matar.
O homem suspira. Depois diz: "Ele roubava meu dinheiro e, enquanto eu carregava lixo, ia para a cama com minha mulher." Julgo ouvir um ruído vago, mas tenebroso, como se o teto da enfermaria começasse a desabar sobre mim. Não consigo dizer mais nada. Saio.
Na redação, o Sr. Azevedo ordena: "Quero uma história violenta, que tenha início, meio e fim, pois precisamos de manchetes".
Sento-me para escrever. O esquema clássico do noticiário policial me pede uma narrativa reta, em que haja uma vítima, um assassino monstruoso e uma viúva infeliz. Começo a escrever, mas não posso avançar. Sinto-me tonto. Vou ao banheiro e vomito. De volta, escrevo uma primeira versão, a mais neutra que posso imaginar, em que os vários pontos de vista se entrelaçam. Ofereço-a ao Sr. Azevedo. Ele lê e diz: "O que é isso, um boletim de ocorrência? Quero uma história coerente, e não um relatório".
Volto para a máquina e escrevo, agora, três versões da reportagem. Ajo como um repórter que tivesse três cabeças. Na primeira, o homem é um cão danado que mata a pauladas um filho ingênuo e infeliz. Na segunda, é um homem fraco que enlouquece, manipulado pelo filho pervertido e pela mulher incestuosa. Tento uma terceira versão em que pai e filho são inocentes, fantoches nas mãos de uma megera.
As três narrativas não cabem em uma história só e, no entanto, seria assim, na conjunção contraditória das três, que eu estaria mais próximo da verdade. Mas, eu descubro, ela é o que menos importa a meu chefe.
O Sr. Azevedo, com o ar agastado, vem me cobrar a reportagem. "Nossa hora estourou", grita. Fecho os olhos, misturo as três páginas datilografadas, sorteio uma delas e, sem ver o resultado, entrego-a. O Sr. Azevedo lê e diz: "Agora sim, a história faz sentido."
Tomo o ônibus para casa. Levo no bolso as duas versões desprezadas. Amasso-as e jogo pela janela. Deixo que o vento do Aterro do Flamengo bata com força em meu rosto, castigando-me. Tento respirar, ainda sem sucesso, pois é como se uma rolha de decepção me trancasse o peito. Não tenho coragem de ler o jornal no dia seguinte. Até hoje não sei qual de minhas três versões foi publicada”.
(*) crônica publicada em O Estado de S. Paulo, em 5/8/97

A resposta à pergunta "o que aconteceu?", matéria-prima do jornalismo, nunca é tão simples. Ou não deveria ser.
A ideia por trás da objetividade do texto jornalístico é a garantia da verdade. Afinal, quanto mais objetivo o relato e menor a interferência de sujeitos sobre a realidade retratada, mais verdadeira é a notícia. Ou parece ser.
No entanto, a verdade do fato em si – se é que é possível apreender este fato em sua totalidade – é confundida com a veracidade do relato.
A pretensa objetividade jornalística acaba por esconder, ou antes, inibir qualquer humanidade possível, seja da história presente no fato, seja do narrador.
A impressão é de que, quanto mais objetiva a notícia, mais desumanizada ela se torna. Conflitos e contradições humanas não têm espaço no relato jornalístico pautado pelo caráter absoluta da objetividade.
A complexidade da vida, em sua realidade mais crua ou mais bela, deve caber nas seis questões fundamentais do lide. As notícias policiais são bons exemplos do manual jornalístico seguido à risca e do respeito ao princípio da objetividade. No entanto, essas notícias escondem histórias que nunca foram contadas. E que, talvez, jamais venhamos a conhecer.

Não estou lá (I'm not there, 2007), filme que mostra a vida e obra de Bob Dylan. Um homem: muitas vidas. Outro bom exercício de versões possíveis de uma verdade absoluta inalcançável.

Motorista especial perde vaga para "carro especial"

O blog do jornalista Flávio Gomes recebeu um relato via e-mail do blogueiro Jean Tosetto. No último domingo Tosseto parou para tomar um café no Serra Azul, shopping sobre a Rodovia dos Bandeirantes. Bem na entrada do local reparou nesta Ferrari estacionada numa vaga reservada para pessoas com necessidades especiais. Ao procurar uma identificação visual no veículo sobre ocupantes com direito à vaga, ele não a encontrou.

Tosseto, comentou ainda, que não é a primeira vez que viu uma Ferrari numa situação dessas.
Antes de qualquer pré-julgamento deve-se colocar a mão na consciência. O fato de ser um carro de luxo, inevitavelmente faz com que pensemos que sem dúvida educação e conscientização, nada tem haver com dinheiro ou classe social. Não que uma pessoa que ocupe escala social inferior não possa cometer a mesma infração. Porém, é sabido que cidadãos com poder aquisitivo elevado têm acesso a informações, estudo e oportunidades que com certeza são suficientes para que atitudes como essas não aconteçam.

No mínimo trata-se de falta de educação. Se o dono tiver necessidades especiais, caberia um pedido de desculpas. Mas caso ele seja deficiente físico, de fato, ele deveria ter a preocupação para não dizer obrigação, de colocar um adesivo no pára-brisa, como manda a lei inclusive, para não levar a má fama injustamente e nem tomar uma multa.

Postado por Fernando Corrêa

terça-feira, 1 de junho de 2010

Santos, a bola da vez (Revista Veja)

O mar está para peixe. É assim que começa a matéria publicada na revista Veja (edição de 19 de maio), que trata da cidade de Santos e a expansão imobiliária após a notícia da implantação da nova sede da Petrobras por aqui. Com muitos números, como por exemplo, o valor pago pela Petrobras pelo terreno comprado no Valongo para construir a central de operações (R$15 milhões) e o valor da ponte que ligará Santos a Guarujá (R$700 milhões), o texto valoriza a cidade de Santos com projeções de um futuro economicamente rico.

No que diz respeito ao boom imobiliário na região, o metro quadrado de imóveis nos bairros nobres (Gonzaga e Vila Rica) está em torno de R$5mil, o que representa um aumento de 50% nos últimos três anos.

A matéria fala apenas dos aspectos ‘belos’ desse novo tempo para Santos. Como se não houvessem obstáculos e pontos negativos nisso tudo. Há certos cuidados que devem ser tomados ao se tratar de assuntos como esse, como por exemplo, na divulgação de dados que ainda não são certos, são apenas projeções. Segundo informações da AGEM (Agência Metropolitana da Baixada Santista) órgão que participa do planejamento desse novo tempo para a região, é perigoso fomentar uma ‘caça ao tesouro’ nas pessoas de fora, de tal forma a crescer a população santista de pessoas que não estão devidamente preparadas para o mercado de trabalho que vai se estabelecer por aqui. Irão trabalhar na exploração do petróleo cerca de 6 mil pessoas devidamente qualificadas, ou seja, não basta divulgar algo do tipo: ‘venham para cá que aqui vai ter mais dinheiro e empregos’ e não explicar que quem não estiver preparado vai continuar desempregado.

Matérias como essa são boas para a cidade, valorizam. Mas faltou o outro lado da exploração do petróleo e de todo esse crescimento: os cuidados a serem tomados e o preparo necessário de quem deseja entrar nesse barco.

E o meio ambiente? Estão pensando nele como é necessário? Será um desenvolvimento sustentável? Foram entrevistados políticos, empresários, funcionários da própria Petrobrás, mas ambientalistas não foram ouvidos na matéria. Pessoas que poderiam dar uma análise crítica, sem maior interesse econômico na exploração não foram consultadas.

Em resumo, obrigada a Veja por divulgar a nossa região nesse veículo nacional. Mas vamos tomar mais cuidado para não fazer parecer que está jorrando dinheiro do chão santista...

Postado por: Kátia Alves