terça-feira, 27 de outubro de 2009

Pensando no futuro


Jackson de Paula

Construir uma família é o objetivo de muitos casais brasileiros. No entanto, essa construção mostra-se diferente - e mais simples - com o passar dos anos.Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 1997 a 2007, a taxa de fecundidade caiu de 2,54 filho para 1,95. Aos poucos, o Brasil ganha traços europeus e, com ele, menos crianças. Na Itália, por exemplo, a taxa estabilizou-se em 1,38 filho por casal. Ter apenas um filho é algo comum entre os casais do ‘velho continente’. Termo que, inclusive, cai como uma luva para a Europa.

Já na China, a política do filho único foi implantada em 1979. Se a medida não fosse adotada, cerca de 300 milhões de pessoas teriam nascido no País nos últimos 26 anos; quantidade equivalente à América do Sul atualmente.Outro fator curioso é o aumento da proporção de casais brasileiros sem filhos, que cresceu de 12,9% para 16% no mesmo período. O País está seguindo a tendência das nações mais ricas, em que ter filhos não é mais uma conseqüência inevitável do casamento.

Casais que decidem não procriar são um fenômeno crescente em muitos países desenvolvidos, onde foi criado até um termo para defini-los: eles são os dinks (double income, no kids, ou “renda dupla, sem crianças”). Contudo, os dinks tornaram-se motivo de preocupação em países cuja taxa de fecundidade é muito baixa. No Brasil, por enquanto, ainda não é o caso.

Mas afinal, o que leva os brasileiros a agirem dessa forma? Em meio às despesas que não páram de crescer - leia impostos -, o casal dá prioridade às suas respectivas profissões e, conseqüentemente, à segurança financeira. Além disso, casais que não se preocupam com esses fatores servem de exemplo para outros, uma vez que, em alguns casos, chegam até a abandonar seu(s) filho(s), vide tamanho desespero. Atitude errônea, é claro, e que não justifica uma crueldade desse porte.Os especialistas dizem que a tendência é que os números continuem na mesma toada, vide o fortalecimento da onda capitalista que atinge os quatro cantos do planeta. Entretanto, vale ressaltar que, em teoria, o Brasil não precisa de uma política tão rígida como a chinesa.

Um país como o Brasil, que está em pleno processo de desenvolvimento, não deve reduzir bruscamente suas natalidades. Com o problema que existe na área da Educação, futuras vidas podem ser de grande valia para a evolução da sociedade brasileira.

A seguir, confira reportagem sobre a pesquisa do IBGE e a rotina de uma família com mais de um filho.

Polêmica nas noites de domingo

Felipe Saúda

Uma tradição das noites de domingo, as mesas redondas de comentários futebolísticos são cada vez mais frequentes e nos mais variados estilos editoriais. A maioria delas segue o caminho da polêmica como forma de prender a atenção do telespectador e assim atingir maiores índices de audiência.

O tradicional Mesa Redonda Futebol Debate, da Gazeta, é o principal exemplo desse modelo. Polêmicos, o apresentador Flávio Prado e os comentaristas Chico Lang e Wanderley Nogueira passam o programa inteiro fazendo comentários e perguntas provocativas aos convidados. A intenção clara é jogar lenha na fogueira.

O grande senão de um programa como esse é a falta de credibilidade. Os comandantes do Futebol Debate parecem preocupados apenas em polemizar e acabam esquecendo de comentar os fatos de maneira imparcial.

Além disso, a caça por audiência leva a uma cobertura esportiva no mínimo tendenciosa. O programa trata, praticamente o tempo todo, do dia-a-dia do Corinthians por ser esta a equipe que mais atrai audiência. Tal atitude torna o programa pouco atraente para os torcedores dos outros times.

Veja um pouco do programa.


Outro exemplo de programa que não nega fogo no quesito polêmica é o Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília. Com duas horas de duração, e exibido somente na Baixada Santista, o programa trata, basicamente, de assuntos ligados ao Santos.
A grande polêmica do programa fica por conta das discussões entre os integrantes da mesa – todos santistas. Muitas vezes, quando alguns dos comentaristas fazem criticas ao Santos, o apresentador Armando Gomes procura colocar panos quentes.

O Esporte por Esporte também tem seus momentos inusitados. E-mails de conteúdos provocativos sempre chegam às mãos de Armando Gomes, que invariavelmente reage de maneira intempestiva – e devolve as provocações e críticas.

Confira trechos do programa:


Agora, com toda certeza, o líder em audiência e polêmica nas noites dominicais é o Terceiro Tempo, da TV Bandeirantes. Comandado pelo controvertido apresentador Milton Neves, o programa tem como principal característica o merchandising , deixando para segundo plano a discussão esportiva.

Outra marca do programa são as sempre tendenciosas opiniões do comentarista Osmar de Oliveira. Corintiano declarado, ele sempre acha uma maneira de defender o clube do Parque São Jorge. Mas a figura mais cômica do Terceiro Tempo é, sem dúvida, o ex-arbitro Oscar Roberto Godoi. Sempre agressivo em suas opiniões, ele acaba se tornando um personagem.

Assista abaixo a um trecho do Terceiro Tempo:


Em meio a tantas polêmicas, onde fica a credibilidade? Eis aí uma questão difícil de responder. Esse formato popular está longe de ser a melhor meneira de informar e entreter o telespectador. O problema é que, cada vez mais, figuras como Chico Lang, o corintiano rei da polêmica, tem se tornado a regra no jornalismo esportivo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A dura realidade


Pedro Bial, apresentador do Big Brother Brasil

Sol, piscina, calor, biquínis, intrigas e possíveis romances. Estes são alguns itens que fazem parte do roteiro de reality shows como Big Brother Brasil e A Fazenda.

Os shows de realidade têm como proposta entreter o público unindo cerca de 12 pessoas em uma casa sem qualquer privacidade: é impossível descansar, dormir ou conversar sem ter suas ações gravadas e reproduzidas em rede nacional e internet.

Para algumas pessoas, esta perda de privacidade seria inimaginável. Para um grande número de pessoas, porém, participar de um reality show parece ser uma oportunidade única na vida.

Prestes a estrear sua décima edição em janeiro de 2010, o Big Brother Brasil recebeu, até o começo de setembro, mais de 220 mil inscrições. É possível afirmar, ainda, que em pleno verão, a maioria dos brasileiros prefere assistir à rotina dos competidores dos shows de realidade em vez de aproveitar o bom tempo.

De acordo com uma publicação no site do jornal Folha de S. Paulo, o Big Brother Brasil tem sido, tradicionalmente, a maior audiência da TV brasileira no verão e a maior fonte de lucros da Globo no período - ainda que sua última edição tenha tido os piores índices de audiência.

É por meio dos reality shows que a Indústria Cultural impõe e estimula os comportamentos desejáveis, consumismo e a banalização.

Um bom exemplo deste caso é o ator Dado Dolabella, vencedor da primeira edição do reality show A Fazenda, que se apresentou de forma carismática durante sua estadia na roça da Record.

O ator e cantor chamou atenção das pessoas ao quebrar, desnecessariamente, o cenário do programa do apresentador João Gordo, na MTV, em 2003.



Cinco anos depois, Dolabella, em um acesso de raiva, agrediu sua então namorada, a atriz Luana Piovani, e também a camareira do teatro no qual a atriz estava em cartaz com uma peça.

A violência fácil e desnecessária do ator foi facilmente esquecida pelo público: Dado venceu o programa A Fazenda e ganhou 1 milhão de reais. Sua participação no programa da emissora evangélica rendeu grandes índices de audiência e transformou o então vilão no mais novo herói da atualidade.

A permanência de Dado Dolabella até o final do programa - e sua consequente vitória na competição - reforça a despreocupação do público em atentar às reais atitudes de um competidor. A figura controversa do ator e cantor se transformou em fetiche e é assimilada por milhares de alienados que o admiram e o endeusam apenas por sua atuação em frente às câmeras de uma emissora nacional.

Esses e demais fatores comprovam a proposta dos shows de “realidade” serem, apenas, para entreter seu público e manter a audiência da emissora – todo tipo de crítica se perde em meio ao consumo e mítica criados pela imprensa. Afinal, como dizia o filósofo e sociólogo Theodor W. Adorno, “o que parece ser a decadência da cultura é o seu puro caminhar em direção a si mesma”.


Texto de Ana Paula Peixoto

Entretenimento vespertino nunca mais

Vitor Hugo Silva



Com o passar dos anos, o telespectador brasileiro se acostumou a acompanhar programas que visam a exposição da figura humana. São casos e mais de casos de programas com um conteúdo pobre, recheado de baixaria e com pouca utilidade.

Após a era dos reality shows, a moda da vez são os programas “barracos” que expõem a vida do cidadão comum. As emissoras estão cada vez mais apostando nesse tipo de formato e que, a meu ver, vem dando certo devido ao número de programas que atualmente são transmitidos pelos principais canais de televisão. Casos de família do SBT e Márcia da Band são apenas alguns dos programas que invadiram as tardes e que vem atraindo o público no geral.

Homem que trai a mulher, dívida entre vizinhos e a filha problemática são alguns dos assuntos ligados ao cotidiano da população que pode virar tema desse tipo de programa. Baseado na polemica e nas “confusões” os programas funcionam da seguinte forma: Os convidados são levados ao palco para um debate ao vivo aonde os problemas são expostos a toda população e, após a análise do tema pelo apresentador, a platéia vaia, grita e, em muitos casos, humilha o convidado. Um exemplo de exposição desnecessária, levando a convidada a uma situação constrangedora. No programa da Márcia, homem vai ao palco reclamar de sua esposa. Confira no vídeo abaixo:



Vale ressaltar a participação do apresentador, nesse tipo de atração, que está lá para única e exclusivamente fazer o “circo pegar fogo”. Abusando da inocência dos convidados, os apresentadores manipulam a platéia e fazem com que os convidados fiquem acuados, sem reação. No programa Casos de Família, por exemplo, a apresentadora discute com a convidada e ameaça expulsa-lá.



É triste saber que esse tipo de programa veio para ficar e que cada vez mais, uma grande parcela da população brasileira, prestigia esse tipo de “espetáculo” não se importando mais com a qualidade e com o tipo de entretenimento.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Do local para o global, mas nem tanto assim


Mariana Dias

Há quem diga que o jornal impresso, um dia, irá acabar. E que o público que ainda se informa por este veículo, pois não se satisfaz com as notícias curtas e pouco aprofundadas da tevê, migrará para o jornalismo on-line. Entretanto, há quem defenda a permanência do jornalão por muitos e muitos anos. É o leitor das pequenas cidades, que ainda não encontrou outro meio que o deixe por dentro do que acontece em âmbito local.

Esta força que o jornal ainda tem nos municípios menores se mantém porque o telejornalismo, com suas emissoras regionais, realiza uma cobertura centrada nas cidades sede, e que é precária nas cidades vizinhas. Existem, ainda, os casos em que a cobertura televisiva nem chega.

Já a Internet esbarra em uma questão essencial: o acesso. De acordo com pesquisa divulgada pelo IBGE, cerca de 24% das residências brasileiras possuem computadores conectados à web. O número vem crescendo, e há ainda os que acessam a rede mundial por lan houses, em escolas e no trabalho.

No entanto, o acesso pode não significar nada, já que a leitura de notícias por portais pode se limitar a um público muito específico. Mesmo assim, é difícil pensar na existência de portais de informação locais. É a velha história, a globalização não é tão bela assim, já que a relação de poder é desigual – sabemos muito sobre o mundo, mas pouco sobre nós mesmos.

E assim, o jornal impresso ainda tem o seu poder nas cidadezinhas. Mas nem tudo é um mar de rosas. O jornalismo local enfrenta graves problemas, como a dificuldade na captação de anúncios, cobertura jornalística parcial, matérias com tendências políticas e o número excessivo de releases, no lugar de reportagens.

Esses impasses fazem com que paire no ar uma certa lembrança dos tempos de coronelismo: fulano monta um jornal para concorrer às próximas eleições, cicrano elogia o dono de tal loja no editorial ou nas notinhas políticas, já que ele pagou uma publicidade de página inteira... Para não falar da dependência econômica que esses veículos têm das prefeituras, que enviam editais e atos oficiais para serem publicados nos jornais.

E é aí que mora o perigo. O jornal publica os releases da Prefeitura para agradar, pois não quer perder publicidade para um jornal concorrente. A publicação de releases passa pela falta de equipes profissionais nas pequenas redações. Pior ainda é a ação dos chamados caça-anúncios, “donos de jornais” que criam o veículo com a única intenção de ganhar dinheiro.

Quando não amparados por um projeto sólido, de longo prazo, e uma equipe de jornalistas qualificados, os jornais das pequenas cidades tendem a possuir vida curta, ou irregular, com periodicidade incerta. Se não conseguem andar com as próprias pernas, esses veículos começam a se vender, ou simplesmente desaparecem.

Fica um vazio para o leitor que não quer só saber qual o plano econômico de Barack Obama para os EUA, mas também se a Câmara Municipal apresentou alguma solução para crise enfrentada pelo comércio local, e que foi a causa do desemprego de um filho, ou parente.

Aí é só global para local, sem local para global. Enquanto a grande mídia, por meio da tevê e da internet, consegue chegar na casa de todas as pessoas, seja nas grandes ou pequenas cidades, o pequeno jornal deve continuar a ter o seu papel, contribuindo para o desenvolvimento das cidades, agregando valor à cultura e à vida locais.

Sexo frágil virou forte

Lilian Palopoli


Datas como o Dia dos Professores, do Trabalho, da Independência e de Todos os Santos são algumas comemoradas em nosso calendário. Mas, por um acaso, alguém já ouviu falar em Dia do Homem?
Os humoristas e machões de plantão costumam dizer que as mulheres têm um dia para elas, porque todos os outros são dos homens.
Piadas à parte, o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, representa mais uma conquista do suposto sexo frágil. Para quem começou na história da humanidade como submissa, a mulher parece ter dado a volta por cima, e até superado o homem.
Antes destinadas a passar o dia com a barriga no tanque e no fogão, agora as mulheres são maioria nos cursos universitários. Ainda que prejudicadas pela histórica noção machista de que o homem deve ganhar mais do que a mulher, a ala feminina tem chefiado muitos barbados que se acham divinamente superiores.
Um exemplo recente é a temporada com 12 programas da série chamada ‘12 Mulheres’, comandada pela jornalista Maria Cândida, e que estreou no último dia 10 na Rede Record. A intenção do programa é passear pela cultura de 12 países (como África do Sul, Vietnã, Tailândia, Brasil) e ouvir mulheres de faixas etárias diferentes, diversas formações, profissões e personalidades, para que pouco a pouco se forme um grande painel do que constitui a essência da mulher de cada país.
Segundo a apresentadora, a gravação das entrevistas com 12 mulheres é algo mágico, uma oportunidade quase que antropológica de conhecer as mulheres. Em entrevista ao programa ‘Pânico’, da rede Jovem Pan FM, a apresentadora disse que em cada programa veste um macacão de cor diferente para não ser notada, já que a idéia do programa é mostrar o lado cultural da mulher e não explorar a sexualidade.
A ala feminina está com tanta força que uma rede de TV nacional parte do princípio de que ‘tudo começa na mulher’ e viaja pelo mundo para que os telespectadores possam conhecer através do olhar feminino, mais sobre a família, a cultura e a gastronomia de outros povos.
Que a TV brasileira continue investindo no lado cultural das mulheres e esqueça um pouco a velha idéia de que a mulher deve apenas ter um rostinho bonito ou um corpo gostoso. E que este programa consiga patrocinadores (Maria Cândida pediu no programa ‘Pânico’ da Jovem Pan patrocínio para o programa)...

É normal ou norma?

Juliana Ferro Fernandes

A cada temporada, emissoras de televisão criam programas diferentes visando chamar atenção do público e fazer a audiência subir em pouquíssimo tempo. A rede Globo, por exemplo, lançou há duas semanas o programa chamado Norma, antes mesmo de começar, a propaganda estava a todo vapor nos intervalos e na página inicial da globo.com.

O programa conta com a participação do público no site e no twitter da Norma, nele o telespectador pode e deve participar dando sua opinião nas enquetes, debates e enviando vídeos de acordo com o tema relacionado do dia.

Cada capítulo tem duração em média de 30 minutos, a personagem principal é interpretada pela atriz Denise Fraga. Ela relata os problemas enfrentados pelas mulheres separadas, filhos, ex-maridos, namorados. E é claro, conta com a ajuda da platéia e o público em casa para definir o final de cada história. Lembrando o antigo perfil do “Você Decide” o público interage resolvendo questões simples, mostrando saídas e soluções para as tarefas interpretadas pela atriz. Com histórias nada inusitadas, a atriz aponta situações que o telespectador já sabe de cor e salteado o começo, meio e fim de toda história.

O primeiro capítulo trata de separação, com um toque feminista a platéia ajuda Norma a se portar, vestir, falar e namorar após o divórcio.

Veja abaixo uma prévia do segundo capítulo do programa:


Denise convida os homens da platéia para realizarem tarefas domésticas, um assunto mais do que tratado por todas as emissoras.

Enfim, Norma não foge do lugar comum, levantando assuntos já abordados, conversados, explicados por todos os meios de comunicação. E quando você menos espera o episódio termina, e o público tem a forte sensação que nada acrescentou em sua vida.

O programa elabora boas estratégias para que o telespectador a assista pelo menos um capítulo, mas é montado um cenário de tantas expectativas que quando termina você questiona pra que perdeu tempo com pouco conteúdo.

Equipe e elenco do programa Norma
imagem: divulgação Site oficial do programa Norma